Dia 2 · 16:00 → 17:00 BRT · Palco Nobox
Diogo D'onofrio, Guilherme Miotto e Ney Neto desmontam a indústria de cursos de IA, falam sobre captação de patrocínio com ROI real e o poder do contato olho-no-olho em eventos presenciais.
Tese central
O painel tem três pilares costurados: (1) a explosão da “galera marqueteira” vendendo cursos genéricos de IA — quase sempre infoprodutos com promessa furada e zero histórico real — exige que creator e marca aprendam a checar o passado de quem está vendendo autoridade; (2) eventos presenciais são a ferramenta mais subestimada de aproximação de comunidade, porque o olho-no-olho cria vínculo que o algoritmo nunca consegue replicar (Arthur Thutski e Ariel Mondelo se conheceram em evento e viraram sócios da Legacy; Guilherme só descobriu que tinha o vice-presidente da Visa dentro da própria comunidade depois de uma consultoria de uma hora); (3) captação de patrocínio precisa parar de ser “vou pedir mil reais pra marca” e virar um deck estruturado com ROI projetado, ticket médio do produto, perfil da audiência e expectativa de retorno — exatamente como Ney Neto trabalha eventos farmacêuticos onde a homologação leva dois a três anos.
Visão geral
“Eu tenho uma provocação. Outro dia eu vi um falando assim: 'Aprenda a fazer avatares de mulheres para ganhar dinheiro nas redes sociais enquanto você dorme'. Então, ou isso tudo é mentira, ou os caras são muito infoprodutos de promessa que na prática nunca funciona.”
Diogo D'onofrio (eventos e comunidades), Guilherme Miotto (fundador do Nobox Group) e Ney Neto (UGC e creator economy) sentam para uma conversa sem rodeios sobre o que está quebrado no mercado de creator hoje: cursos vendidos por gente que nunca codou uma linha, infoprodutos prometendo “ganhar dinheiro enquanto dorme” e a confusão entre seguidor viral e autoridade real. O diagnóstico vira ferramenta prática — checar o histórico de quem vende, pesquisar os hits anteriores do criador, separar conteúdo de comédia de conteúdo de venda.
Na sequência, o painel migra para o lado positivo: eventos como motor de comunidade. Ariel conta que ele e Arthur Thutski se conheceram em um evento e fundaram a Legacy juntos; Guilherme relata o caso do Edu Abreu, vice-presidente da Visa, que comprou uma consultoria de uma hora dentro da comunidade dele e só depois ele descobriu quem era — o olho-no-olho que o feed nunca entrega. Discute-se também o movimento de creators fazendo as próprias imersões.
A última parte é o bloco mais técnico: captação de patrocínio. Diogo dispara que a maioria das marcas patrocina sem saber por quê — não tem estratégia de marketing anual, não pergunta “por que eu preciso estar nesse evento”, trata visibilidade como ROI quando não é. Ney complementa com o caso real dos eventos farmacêuticos que produz: homologação leva dois a três anos, mas o pipeline justifica o investimento prolongado. UGC entra como contraponto — comunidade forte que confia em você vale mais que milhões de seguidores que vieram de uma piadinha viral.
Cronologia do painel
12 movimentos na ordem em que aconteceram — da provocação inicial sobre cursos de IA até o fechamento sobre UGC e a piadinha viral.
Guilherme abre questionando a enxurrada de gente vendendo curso pra 'fazer avatares de mulheres e ganhar dinheiro dormindo' e pergunta aos palestrantes se essa onda é sustentável ou puro infoproduto sem entrega.
Ariel responde que o mais importante é olhar o histórico: a pessoa já conseguiu o resultado que está vendendo? Para de comprar curso de cara que ficou viral por uma piadinha e agora se intitula expert.
Discute-se o caso clássico: cara faz um vídeo de comédia que converte 150 mil seguidores, e de repente acha que tem moral pra vender curso de IA. Conversão pontual não é autoridade técnica.
Ariel revela que ele e Arthur Thutski se conheceram em um evento e dessa conversa nasceu a sociedade da Legacy. Troca de ideia presencial gera oportunidades impossíveis de surgir só pelo feed.
Guilherme conta que um membro super engajado comprou consultoria de uma hora com ele — só depois descobriu que era Edu Abreu, vice-presidente da Visa. Tratar bem o olho-no-olho da comunidade muda a vida.
Painel observa o movimento de creators que pararam de só esperar convite de evento — estão chamando a comunidade pras próprias imersões e usando isso como ferramenta direta de aproximação.
Diogo alfineta: muita marca não tem estratégia anual de marketing nem responde 'por que eu preciso estar nesse evento'. Resultado: patrocina, sai infeliz, sente que jogou dinheiro fora.
Diogo destrincha: identifique 30 pessoas no seu evento, projete quantas vão comprar o ticket da marca, mostre isso num deck. 'Olha, marca: vem o Arthur com 1 milhão de seguidores, vem fulano da empresa X, é essa baita conexão pra você'.
Ariel ensina o caminho do creator pequeno: compre o produto da marca, use no canal, mostre os resultados depois, peça link de afiliado. Marca valoriza muito quem chega com algo já feito.
Diogo divide o caso do próprio evento de network qualificado do mercado cripto: bancou 10 edições do bolso, foi prejuízo, mas hoje é o xodó da marca. Captação madura leva tempo.
Uma profissional do mercado farmacêutico de transporte/traslado pergunta sobre ROI demorado. Ney responde que no nicho dele homologação dura 2 a 3 anos, mas pipeline justifica — primeira feira: 6 meses de marca nova, hoje virou liderança setorial.
Ariel fecha o ciclo: comunidade forte que compra seu produto e confia em você vale mais que milhão de seguidores que vieram de uma piadinha. Audiência convertida por UGC bem feito tem taxa até melhor que celebridade paga.
Pontos-chave acionáveis
Cada bloco abaixo é uma das ideias práticas do painel — pronto pra virar ação na sua próxima conversa com marca, evento ou comunidade.
Ariel é categórico: o filtro número um é olhar o passado. A pessoa que está vendendo autoridade já entregou aquilo na prática? Já fez o que está prometendo? Hoje dá pra ver os maiores hits do criador no Instagram e no TikTok. Se o cara não é famoso de antes e do nada subiu vendendo curso de IA, pesquisa o canal dele. Provavelmente a base de seguidores veio de comédia ou de uma virada pontual, não de domínio técnico. Vender curso virou um nicho próprio — e tem muita gente vinda da galera marqueteira surfando isso.
autoridade cursos filtroAriel divide a origem da Legacy: ele e Arthur Thutski se conheceram em um evento e dali nasceu a sociedade. Guilherme reforça com o caso real do Edu Abreu — vice-presidente da Visa que comprou consultoria de uma hora dentro da comunidade. Só depois Guilherme descobriu quem era a pessoa. Aproximação presencial, tratar bem cada um, querer saber de cada um — isso constrói vínculo que o algoritmo nunca entrega. Você nunca sabe quem é a pessoa que está te assistindo calado.
networking comunidade presencialDiogo dispara o diagnóstico: maioria das marcas brasileiras não tem estratégia de marketing anual definida com quais eventos vai patrocinar e por quê. Resultado: vai por achismo, sai do evento reclamando, não consegue mensurar ROI. A pergunta principal — 'por que eu preciso estar nesse evento e quanto posso investir pra ainda ser saudável?' — quase nunca é feita. Tem evento que é puro brinde, todo mundo sai vestido com camiseta da marca, mas usa só pra dormir. Isso não é ROI, é desperdício.
patrocínio estratégia ROIDiogo destrincha o método: pegue o ticket médio do produto da marca, identifique quantas pessoas do seu evento têm perfil real pra comprar, projete a conversão. Se a marca vende ticket alto e você tem 30 pessoas no evento com 70% de chance de conversão, vira pitch viável. Mostra no deck: 'olha, marca, vem o Arthur com 1 milhão de seguidores, vem fulano que trabalha em tal empresa, essa é a baita conexão pra você.' Sai de 'me dá mil reais' e vira ROI projetado em cima de audiência qualificada.
deck captação metodologiaAriel ensina o caminho prático pra quem não tem grande audiência: compre o produto da marca, use ele no seu canal, gere dados de engajamento, depois apresenta pra marca já com resultados na mão. A grande maioria das marcas já tem link de afiliado pronto. Marca valoriza muito mais quem é proativo e chega com 'olha, eu já fiz, tive esse resultado, essas pessoas têm esse interesse' do que quem chega pedindo. Diminuir o risco da marca é a chave.
creator proatividade afiliadoDiogo abre o jogo sobre o próprio evento de network qualificado no mercado cripto: bancou as primeiras 10 edições do bolso, prejuízo recorrente. Hoje virou o xodó da marca. A lição: captação de patrocínio em evento próprio é maratona, não sprint. Quem desiste na segunda edição nunca colhe o pipeline maduro. É exatamente o oposto da venda de curso 'ganhe dinheiro dormindo'.
paciência evento próprio investimentoNey Neto compartilha o caso real: produz eventos corporativos no mercado farmacêutico (transporte, traslado, feiras setoriais). Lá o ROI demora porque cada cliente exige homologação formal que dura 2 a 3 anos. Mas o pipeline justifica: na primeira feira, com 6 meses de marca nova, ele não fechou ninguém de 2 mil pessoas; três anos depois, virou referência setorial — todos os eventos uniformizados de laranja, branding consistente, presença lembrada.
B2B farmacêutico ciclo longoAriel fecha o argumento de UGC: comunidade pequena e forte que confia em você bate seguidor viral que veio de comédia. Pessoas tendem a ser convencidas por quem fala de uma experiência próxima — não por celebridade que claramente está sendo paga. Hoje, creator que masteriza narrativa e copy gera taxa de conversão até melhor que famoso, mesmo com audiência muito menor. Marca prefere alguém que entrega resultado consistente.
UGC conversão comunidadeDiogo dá a dica de marca: ao invés de buscar creator novo pra patrocinar, traga creator que já tá te trazendo rentabilidade pro seu próprio estande. Crie espaço pra ele encontrar a comunidade dele dentro do seu evento. Vira ferramenta dupla — você potencializa o creator e o creator move audiência qualificada pra dentro da sua experiência. Custo zero adicional, alavancagem máxima.
estande ativação alavancagemGlossário do painel
Os 8 termos que os palestrantes usaram como base de toda a conversa — entenda o vocabulário antes de aplicar.
Processo estruturado de apresentar um evento para marcas com deck, projeção de ROI, perfil de audiência e ticket médio — em vez de pedido aberto de valor.
Documento que estrutura a proposta de patrocínio: quem são as pessoas que vêm ao evento, qual o perfil da audiência, qual a expectativa de retorno pra marca apoiadora.
Aprovação formal exigida por clientes corporativos (farmacêuticas) antes de fechar contrato — leva 2 a 3 anos no caso citado por Ney Neto e define o horizonte de ROI.
Conteúdo criado por usuário comum que defende o produto a partir de experiência real — converte mais que celebridade paga porque transmite proximidade e honestidade percebida.
Quando alguém ganha audiência por uma virada pontual (vídeo cômico, meme) e passa a se vender como especialista técnico em outra área, sem histórico que sustente.
Curso ou material digital empacotado pra venda — virou nicho próprio na onda de IA, com muita gente vendendo promessa que não entrega na prática.
Termo usado pelos painelistas para o contato presencial de evento — vínculo de comunidade que o algoritmo do feed não consegue replicar.
Evento próprio organizado pelo criador de conteúdo pra reunir a comunidade dele fora das redes — virou ferramenta direta de aproximação e monetização.
Insights numéricos
Dados concretos citados pelos palestrantes — cada um amarrado a um caso real de evento, marca ou audiência.
Citações marcantes
“Outro dia eu vi um falando assim: aprenda a fazer avatares de mulheres para ganhar dinheiro nas redes sociais enquanto você dorme.”
“Eu e o Tutski, por exemplo, a gente se conheceu em um evento. Então, daí também foi a sociedade.”
“Comprou uma consultoria minha de uma hora. E pra mim, nunca sabia quem era. Era o Edu Abreu. O vice-presidente da Visa.”
“As empresas tem um negócio na cabeça: preciso estar naquele evento. Nunca faz a pergunta principal — por que eu preciso estar naquele evento?”
“Eu demorei 10 edições colocando dinheiro do meu próprio dinheiro. Foi prejuízo.”
“No meu caso, a homologação leva dois, três anos. Eu fui a um evento, duas mil pessoas, nenhuma empregada. Eu tinha seis meses de marca nova.”
Próximos passos
Lista direta do que sair fazendo essa semana — seja você creator, marca ou produtor de evento.
Antes de comprar qualquer curso de IA, vá no perfil do criador e procure os hits anteriores — se o cara não tem histórico técnico, é nicho de venda de curso.
Defina sua estratégia anual de marketing antes de decidir quais eventos patrocinar — e responda 'por que eu preciso estar nesse evento'.
Para captar patrocínio, monte um deck com ticket médio do produto da marca, quantas pessoas qualificadas vão ao seu evento e qual o ROI projetado.
Se você é creator pequeno, compre o produto da marca primeiro, use no canal, gere dados e só depois apresente proposta com resultado na mão.
Trate cada pessoa da sua comunidade como se fosse o vice-presidente da Visa — porque um dia pode ser.
Considere fazer sua própria imersão pra aproximar a comunidade — não dependa só de convites externos pra evento.
Marca: ao invés de buscar creator novo, ative no seu estande o creator que já te traz rentabilidade — alavancagem com custo zero adicional.
Aposte em UGC com narrativa e copy bem trabalhados — converte mais que celebridade paga, com fração do custo.
Sobre os palestrantes
Especialista em eventos e comunidades
Fundador do Nobox Group
Especialista em UGC e creator economy
A conversa fecha com um princípio simples: confiança da comunidade e dado projetado vencem volume e promessa vazia. Quem trata bem cada pessoa do olho-no-olho, checa o histórico de quem vende, e monta deck com ROI estruturado constrói pipeline real — mesmo que demore 10 edições ou 3 anos de homologação. O resto é infoproduto.
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